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08/10/2009 17:25:28
Pé de Serra: 83 anos de persistências da Nossa Charanga
A
Lira 6 de Agosto é para Pé de Serra uma síntese de sua identidade,
força e resistência, sendo uma das raízes da sua árvore cultural. O seu
próprio nome já homenageia a cidade, pois o mesmo conota ao dia da
festa do padroeiro da cidade, o Senhor Bom Jesus, celebrada no dia 6 de
agosto.
Fundada
em agosto de 1924, por Otávio Carneiro Rios (Seu Tavinho), com a
colaboração de seu sogro Vítor Carneiro, José de Souza Rios (Cazuzinha)
e Luiz Venézia, a Filarmônica Lira 6 de Agosto, conhecida popularmente
como charanga, ressalta a alegria e a hombridade dos pedesserrrenses.
No
entanto, nesses 83 anos de existência foi preciso ser guerreiro da
persistência para que esta somatória de vidas esperançosas não viesse a
se sucumbir. Para os músicos de Pé de Serra, tocar é alimentar a alma,
por isso independentemente dos obstáculos, a magia atrelada ao som,
sopro de vida, sempre os motiva e fortalece.
A
causa da sua fundação, como já foi dito anteriormente, está relacionada
com a festa do padroeiro, já que as "bandinhas" de sopro eram e são
figuras de praxe que animam este tipo de festividade. Neste sentido,
Seu Tavinho e Vítor Carneiro decidiram então formar um grupo musical
para não mais ser necessário trazê-lo de outro lugar, pois antes da
existência da banda, uma bandinha de sopro conhecida por Terno de
Formigueiro, originária provavelmente de alguma localidade chamada de
Formigueiro, já se apresentava nas festividades locais.
Assim,
mobilizando a população do, na época, povoado de Pé de Serra para
arrecadarem recursos para a compra de instrumentos e com a ajuda de
José de Souza Rios e Luiz Venézia, fundaram há 83 anos o Terno União 6
de Agosto.
Inicialmente,
como em Pé de Serra não existia ninguém com bons conhecimentos
musicais, foi contratado um senhor do município de Riachão do Jacuípe,
natural do povoado de Chapada, Alexandre Preto ou mestre Alexandre,
como era conhecido e chamado por alguns de seus alunos.
Ele
vinha somente uma ou duas vezes por mês e, alguns dias antes das
tocadas para aprimorar mais as músicas. O restante dos dias quem
ensinava era Seu Tavinho, que, rapidamente, aprendeu a tocar
instrumentos de sopro, sendo que naquela época os músicos não tocavam
por partitura, mas apenas de ouvido.
Com
o passar do tempo, o Terno União 6 de Agosto cresceu em quantidade de
músicos e com muitos esforços, poucos anos depois da sua fundação,
conseguiu-se um número considerável de músicos para tocar uma festa,
conquistando, desta forma, uma grande importância para a cultura local,
sendo que até aproximadamente a década de 90, as tradicionais alvoradas
e a festa do padroeiro de Pé de Serra, eram muito animadas e
contagiantes, atraindo pessoas de diversas localidades para
participarem.
Atrelado
ao aumento dos componentes, houve também uma expansão das apresentações
da banda, que passou a amimar as festividades também em outros
municípios da região como Mairí, Capela do Alto Alegre, Angüera,
Riachão do Jacuípe, Gavião, Pintadas, Serra Preta, dentre outros.
As
primeiras apresentações da banda em outros municípios eram extremamente
desgastantes e desafiadoras, já que o transporte e a alimentação eram
bastante precários. Em uma apresentação na cidade de Angüera (48 km de
estrada), por exemplo, os músicos ficavam nove dias fora de casa.
Para
isso, faziam uma feira, colocavam-na juntamente suas roupas e
instrumentos no lombo de animais e saíam em caravana, em uma jornada
que compreendia três dias de viagem de ida, três dias de apresentações
e três dias para voltar.
Em
1967, foi aberta a escritura da primeira ata da banda, havendo também,
neste ano, uma mudança no nome da entidade que deixou de se chamar
Terno União 6 de Agosto para se chamar Filarmônica Lira 6 de Agosto.
Em
1973, a banda fica órfã de seu fundador e também mestre, com a morte de
Seu Tavinho e durante anos a banda fica sem um maestro ou professor de
música.
Somente
em 1987 a banda voltava a ter um maestro com a contratação de Antonio
Oliveira Rios por parte da Prefeitura de Pé de Serra, que apesar de já
estar com uma idade avançada e aposentado por idade, não tendo,
portanto, mais vínculo empregatício com a prefeitura, continua dando
aulas e regendo a banda, quase que gratuitamente.
Somente
1989, houve a legalização da banda e a criação do seu primeiro
estatuto, onde a partir de então passou a se chamar Associação
Comunitária Cultural e Musical Lira 6 de Agosto.
Com
a legalização da banda e a criação do seu estatuto foi definido que a
banda seria administrada por uma diretoria com um mandato de três anos.
Com
a eleição da ultima diretoria em agosto de 2007, a banda tem procurado,
apesar das dificuldades, se reestruturar, não a deixando acabar, pois
manter uma filarmônica numa cidade do interior, em pleno sertão baiano,
na qual os representantes governamentais não a adotam como filha, é
difícil.
Entretanto,
conseguimos, porque os participantes se doam e a paixão que os motiva é
extremamente capaz de remover as dificuldades e transformar o que seria
empecilho em trilha para o sucesso.
Muita
coisa tem-se para contar sobre a história da banda, mas para não ser
mais tão expansivo, concluiremos o seu histórico citando oos pontos
altos mais recentes da história da banda, como a sua participação nos
três últimos Festivais de Filarmônicas do Recôncavo - Festfir em 2003,
2005 e 2007 e a participação recentemente, janeiro de 2008, da Lavagem
do Bonfim, em Salvador.
Em recente visita a cidade o governador Jaques Wagner prometeu doar novos instrumentos.
Fonte: CN notícias
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